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24.5.18

Comandantes dos Bombeiros Municipais de Tomar - levantamento histórico


Créditos: Justo Realce, Lda coordenado o levantamento por Olga Silva, previamente realizado em novembro de 2011, complementado em maio de 2018, pelo ex-vereador Luis Ferreira

Comandantes dos Bombeiros Municipais de Tomar

A pesquisa sobre o tema não é fácil, por falta de um arquivo organizado ou de alguém ainda com a memória fresca. A lista é, por isso, limitada e pode apresentar algumas falhas por falta de informação, sobretudo quanto a datas de princípio e fim de mandato.

No entanto, pela pesquisa realizada foi possível apurar que de 1922 a 2011 se contam um total de 12 comandantes efectivos. Com dois nomes a destacarem-se na lista: Francisco Nunes da Conceição Caetano e Jorge Godinho da Silva. Ambos ocuparam o lugar por diversas vezes, umas como comandantes interinos e outras como efectivos, sendo que o segundo iniciou a sua carreira integrando o primeiro grupo de 18 bombeiros de Tomar em 1922.

Durante vários anos os bombeiros de Tomar foram liderados por militares do regimento nabantino. Entre a década de quarenta e os anos sessenta, o antigo regime acreditava que o regime militar iria imprimir uma disciplina necessária ao bom funcionamento de uma corporação que lutava contra as catástrofes que era preciso enfrentar. Tratando-se de uma “guerra” que afligia as populações, era necessário treinar soldados para a travar.

Entretanto, a guerra das armas fazia-se também nas ex-colónias e os militares, entretanto comandantes de bombeiros, partiam em comissões de serviço para o exterior, sendo necessário preencher a lacuna nos quartéis locais. Pelos escritos, cartas e documentos partilhados entre a câmara municipal de Tomar e os bombeiros (que se podem ler no arquivo municipal), percebe-se que na década de 50 a mudança do comando dos soldados da paz nabantinos sucede-se ao ritmo das contingências da altura. Os comandantes chegam e logo partem, acabando por se encontrar quase sempre o mesmo nome a substituí-los do Tenente Francisco Caetano. É ele que assume a

responsabilidade pelas conquistas que os bombeiros de Tomar vão conseguindo (a aquisição de novo material). Segundo o filho, a sua paixão pela sua corporação era testemunhável, dedicando-lhes grande parte do seu tempo e vida.

Comecemos pelo princípio. O Corpo de Salvação de Tomar, oficialmente criado em 24 de fevereiro de 1922 e publicamente apresentado à população a 28 de Janeiro de 1923 numa sessão solene do executivo municipal de então, agendada para um domingo para que a população pudesse aclamar os corajosos homens que integraram o primeiro grupo, teve como primeiro comandante Pedro Gregório da Silva
Na altura, o protagonismo relacionado com os bombeiros, quer nos documentos encontrados no arquivo municipal quer na imprensa de então, estava nas mãos do vereador responsável pela sua criação Jorge Gonçalves Ribeiro. É difícil encontrar provas sobre o comando de Pedro Gregório da Silva. É Jorge Godinho da Silva que nos informa na publicação que editou para a inauguração do quartel em 1971, dando testemunho sobre a dedicação do primeiro comandante que liderou o primeiro grupo de soldados da paz nabantinos.

Pelos documentos e testemunhos ouvido é impossível datar o final do mandato do primeiro comandante, assim como a entrada em cena do Tenente Francisco Nunes da Conceição Caetano. Pensa-se que terá iniciado funções em 1931, ainda tinha o título militar de alferes. A única certeza é a de que em 1934, por altura da realização do congresso de bombeiros em Tomar, o comando estava entregue a este militar. No entanto, Francisco Caetano não terá assistido à realização do encontro, por ter regressado a Moçambique em comissão de serviço.
Tenente Francisco Caetano

Francisco Caetano mantém-se no comando dos bombeiros de Tomar até 1937, altura em que volta a sair do país desta vez tendo como destino Macau.

Em 1939 foi substituído no comando pelo então Tenente Júlio Araújo Ferreira, mas segundo testemunho do filho de Francisco Caetano, o tenente terá regressado ao comando da corporação de Tomar durante mais alguns anos, mantendo-se sempre ligado ao destino e ambição dos soldados da paz. Por exemplo, voltamos a encontrá-lo na liderança em 1953, voltando a sair logo em Janeiro de 1954. Depois, mantém-se no comando durante mais alguns anos.
Francisco Caetano, natural de Tomar, acabaria por falecer a 17 de Julho de 1960.
Nesta altura continuamos a encontrar diversas falhas de informação sobre o comando dos bombeiros de Tomar. Em 1954 surge o nome do Alferes Manuel Maria Careto. Militar de carreira, é ele que assume o comando durante sete anos, pelo menos até 1961, altura em que transmite à câmara municipal a intenção de sair por razões de saúde.
Alferes Manuel Maria Careto (1954-1961)

É substituído no cargo pelo Tenente Joaquim Marques da Silva Gervásio. Outro militar nomeado para a liderança dos bombeiros nabantinos, que se mantém no cargo de Novembro de 1961 a Abril de 1963.

Segue-se mais um período de incerteza quanto ao comando. Em 1962 encontramos o nome de Joaquim Marques da Silva Gervásio que se mantém em funções até Abril de 1963, altura em é obrigado a partir para o ultramar em comissão de serviço.

No início de 1964, mais um militar assume a liderança, desta vez com um desfecho trágico. Domingos Crespo Júnior foi nomeado como novo comandante dos bombeiros de Tomar em abril desse ano, mas o seu mandato só durou até dezembro. O Capitão aproveitou a época de festas para ir com a família para Castelo Branco. Apenas deslocado para “passar o Natal”, acabou por encontrar o infortúnio da morte naquele final de ano. Termina assim mais um mandato curto na direcção da corporação tomarense.

É nesta altura que é chamado para liderança um homem da casa. Jorge Godinho da Silva integrou desde muito novo os bombeiros de Tomar. Aliás, ele foi um dos integrou o primeiro grupo de homens que deram início à corporação de Tomar em 1922 e foi ele que em vários momentos de indecisão no passado, assumiu a liderança de forma intermitente como “comandante interino”.
Pelo amor e apego que sempre demonstrou aos bombeiros de Tomar, Jorge Godinho da Silva foi nomeado comandante honorário e foi-lhe também atribuída a medalha de ouro da cidade por serviços prestados.
Comandante Jorge Godinho da Silva

O valor do Homem mede-se, determina-se, pela integridade do seu carácter, pelo equilíbrio das suas decisões, pela fidelidade aos seus compromissos, pela autenticidade das suas obras.” – Jorge Godinho da Silva

É durante o mandato de Jorge Godinho da Silva que finalmente é construído o novo quartel dos bombeiros, em 1971. O “velho comandante” mantém-se em funções até à revolução de Abril, em 1974.

[Levantamento de Olga Silva, com o contributo de Luis Ferreira]
No tempo que medeia o ano revolucionário e os dias actuais, mais quatro homens ocuparam o comando dos Bombeiros Municipais de Tomar, no seu caminho para a profissionalização, a par dos esforços dos seus responsáveis políticos.
João Tomás da Silva entra em 1974 e sai em 1981.

Comandante João Tomás da Silva
Mário Nunes da Silva assume o cargo a 29 de Maio de 1981 e permanece em funções até Julho de 1997, acompanhando parte dos grandes investimentos realizados com a expansão do Quartel e a vereação de António Alexandre (1990-97), no reforço dos veículos.
Comandante Mário Silva

Segue-se Joaquim Patrício até Janeiro de 2002, acompanhando a vereação de Carlos Carrão (1998-2001), até à reestruturação das carreiras dos bombeiros municipais, que dariam lugar à criação do primeiro quadro oficial de Bombeiros nos BMT e a sua primeira grande reorganização, com a manutenção da Central de Comunicações e de Operações de Socorro Distrital - que se manteria no Quartel dos Bombeiros de Tomar, até setembro de 2009.

Comandante Joaquim Patrício

Manuel Mendes começa por assumir o cargo como interino, sendo o primeiro bombeiro profissional a assumir esta função, acompanhando as vereações de José Mendes (2002-05), Carlos Carrão (2006-08), Ivo Santos (2009), Luis Ferreira (2010-11) e José Perfeito (2012-13), além de meio ano do mandato da Presidente Anabela Freitas, que seria a primeira a não delegar a responsabilidade dos BMT em qualquer vereador. 
É depois confirmado como comandante, mantendo-se até janeiro de 2015, como líder da corporação tomarense, altura da sua aposentação como Bombeiro Municipal, passando nos termos da legislação em vigor a Oficial Bombeiro, em regime de voluntariado. Durante o seu comando, os recursos humanos profissionais passaram a ser a maioria dos homens ao serviço.
Comandante Manuel Mendes, no aniversário dos BMT em janeiro de 2010

De então para cá os Bombeiros Municipais de Tomar, passaram a ter como Comandante, o chefe de Divisão da Proteção Civil, também Comandante Operacional Municipal, Carlos Gonçalves, que veio a ser o primeiro Comandante Profissional dos Bombeiros Municipais de Tomar. Em 2016/17, foram realizadas as últimas obras de requalificação do Quartel.
O Comandante Carlos Gonçalves, acumulou esta função com a de Presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Santarém, o que aconteceu pela primeira vez.

O comandante Manuel Mendes entregou assim o comando dos Bombeiros ao comandante Carlos Gonçalves, na presença da presidente da Câmara Municipal, Anabela Freitas e dos restantes elementos de comando, o segundo comandante Vítor Tarana e os adjuntos Vítor Bastos, Carlos Duque e Paulo Freitas, nomeados conforme deliberação de Câmara de 19 de Janeiro de 2015

Versão 2 - Maio de 2018

18.5.18

Porque razão mantemos o Parque de Campismo fechado?

Uma das mais mirabolantes estórias em Tomar é a do encerramento do Parque de Campismo, pela segunda vez, desde a sua abertura nos anos 60 do século XX, agora desde dezembro de 2016. Até quando?

O argumento apresentado pelos serviços e sufragado pela presidente Anabela Freitas e vice-presidente Hugo Cristóvão, foi o de que ele não estaria em conformidade com o respetivo plano de pormenor. 
Ora, tal argumento é absolutamente falso, pois nenhum Plano de Pormenor altera a manutenção do uso do solo aquando da sua aprovação, apenas afetando o uso do solo para atividades futuras. 
Ou seja, previsto um jardim público para o espaço hoje ocupado pelo Parque de Campismo Municipal, só se fosse pretendido afetar este espaço a outra qualquer utilização, fazer novas construções no atual Parque, ou qualquer operação urbanística que colidisse com o determinado com o Plano de Pormenor, estaria proibida.

A decisão de encerrar o Parque de Campismo Municipal de Tomar, o qual tinha receitas superiores a 60.000€/ano, transformando-o provisoriamente num Parque de Estacionamento (gratuito) para Autocaravanas (!), mais não foi do que uma atitude de facilitismo, face a algumas melhorias de serviços e da garantia do funcionamento da receção / guarda, que exigia "uma dor de cabeça" permanente aos serviços municipais de Turismo, do qual dependia, o qual a braços com a falta de recursos humanos, há anos que geria com dificuldade o espaço.

Facilitismo, o qual contraria de forma absolutamente incrível, a posição oficial do mesmo PS, que liderado em 2008 pelo atual vice-presidente Hugo Cristóvão, aquando de uma passagem como vereador substituto, apresentou a seguinte declaração para a Ata da Reunião de Câmara.



Parque de Campismo

Declaração para acta

Face à proposta em discussão carece dizer o seguinte:
1- Pressupondo esta Câmara como entidade de boa fé, deveria ser discutido em primeiro lugar, o abaixo-assinado relativo a este mesmo assunto e entregue em reunião pública de câmara de 26 de Fevereiro do corrente, pois tal aconteceu antes desta proposta agora em análise. Não é seguramente a primeira vez que a câmara assim se comporta, mas sobre este tema, é conveniente relembrar a posição do PS.
2- O PS sempre foi contra o encerramento do parque, cujas motivações gritantemente estranhas, nunca foram devidamente explicadas aparentando ser fruto duma simples teimosia.
3- Para esse problema que como outros, ela mesma criou, com o encerramento injustificado do parque, a perca de receitas para a autarquia e para o comércio, a imagem negativa do concelho com reflexos no turismo, e toda a trapalhada em que este processo tem estado envolto, o PS apresentou em 2005 uma proposta de resolução alternativa, que pudesse estar em funcionamento a tempo da Festa dos tabuleiros de 2007.
4- Essa proposta consistia no aproveitamento de um de dois terrenos públicos para aí instalar um novo parque de campismo: a quinta de Marmelais de utilização camarária, ou o terreno municipal na Machuca.
5- A câmara aprovou a construção de um novo parque de campismo no terreno da Machuca, com esse mesmo requisito essencial: o de vir a estar em funcionamento a tempo da Festa dos Tabuleiros de 2007.
6- Nada foi feito, ou sequer intentado, deixou de existir parque e tudo o que representava, não foi construído nenhum outro, e nem o parque de cidade anunciado para o local do antigo viu a luz, e pelo meio mantiveram-se funcionários a guardar coisa nenhuma. Tal só nos permite concluir que tudo não passou de má-fé. Não deve ser essa a filosofia das entidades públicas, muito menos duma autarquia, mas na última década esse foi o estilo: Teimosia, autismo, má-fé.
7- Agora, quer-se acreditar que esse estilo tenha passado, por isso, e por sabermos ser esse o sentimento da generalidade dos tomarenses, voto favoravelmente esta proposta. Que saiba também esta Câmara escutar esse sentir daqueles que a elegeram e em nome de quem governam.
8- Que se tenha também em atenção que como em quase tudo é fácil destruir mas difícil a construção. Não vai ser tão fácil voltar a ter o parque de campismo de referência como fácil foi acabar com ele. Será preciso visão e vontade, num planeamento e promoção turística do concelho como em rigor nunca foi feito, e a capacidade de dotar esse parque da qualidade que hoje se exige e que só essa permite dar frutos.

Tomar, a 25 de Março de 2008, O Vereador
(Hugo Cristóvão)
Hugo Cristóvão e Anabela Freitas, em 2008


Mais comentários, para quê?
Por estas e por outras é que os cidadãos não acreditam - neste caso com razão, na palavra de certos políticos.

Tomar, merece isto?

12.5.18

Quanto vale o Convento de Santa Iria? - contributo para a verdade sobre a solução

Gestão municipal danosa, na tentativa de venda do Convento de Santa Iria*

Quando o Município de Tomar adquiriu os bens ora propostos de colocar em hasta pública, ou seja à venda, o objetivo era vocacionar os mesmos para a construção de uma atividade hoteleira, prevista aliás no PDM em vigor.

Posteriormente, em 2012, houve a tentativa de alienar através de hasta pública, de parte dos bens, em valor superior ao de compra, concurso que ficou deserto.

Claustro interior do ex-Convento de Santa Iria

Aquando do início do mandato autárquico anterior (2013) foi decidido internamente no seio da estrutura municipal e de coordenação política avançar com processo de concessão, tendo sido logo em novembro de 2013 dadas instruções à Divisão Financeira, para preparar as condições – refletidas no respetivo estudo económico, o qual levasse em linha de conta os custos de investimento (aquisição), a apreciação e/ou depreciação dos bens adquiridos, face aos investimentos realizados e/ou à tabela de IPC oficial e publicada pelo Ministério das Finanças.

Houve, inclusivamente a apresentação de dois projetos de intenção de promotores à vereação, em 2014, visando exatamente uma concessão, com construção de unidade hoteleira.

Em setembro de 2017, foi proposto e aprovado na Assembleia Municipal, com o meu voto contra, a proposta de alienação em cujo caderno de encargos, se podia ler:
“O Convento de Stª Iria foi adquirido em 2004 pelo preço de 800.000,00, tendo o Colégio sido adquirido em 2003 por 564.000,00, o que perfaz o montante de 1.365.000,00 €. Ora, atualizando a uma taxa mínima de 3% que corresponde ao custo de oportunidade, decorridos 13 anos, o Valor Atual seria 1.365.000,00 × (1,03) = 2.004.548,52€.

Pelas avaliações que em 2008 foram realizadas, deparamo-nos com valores aproximados na avaliação feita pelo perito Luís Miguel da Fonseca Tavares Lopes. Já o montante apontado pelo avaliador José Alves da Silva, é significativamente superior, ou seja, 5.464.010,00€.

Durante os últimos 5 anos o Município tem vindo a efetuar reparações de manutenção mediante empreitadas e por administração direta, cujos custos superam os 300.000,00€. Segundo o POCAL o valor do património é o que corresponde ao custo de aquisição quando conhecido. Já a Diretriz contabilística n.º 13, refere-se ao justo valor como sendo a quantia pela qual um bem ou serviço poderia ser trocado entre um comprador conhecedor e interessado e um vendedor nas mesmas condições, numa transação ao seu alcance.

Com estas pressupostos, parece-nos racional, prudente e equilibrado que o preço base seja de 1.350.000,00 €, acautelando assim maiores perdas para o Município e/ou especulação imobiliária.”

Questionado o vice-presidente do Município, por ausência da presidente em quase toda essa reunião da Assembleia, a qual tutelava diretamente a Divisão Financeira, não foi adiantada nenhuma razão objetiva, de facto, de direito ou enunciado qualquer estudo, o qual pudesse demonstrar que uma concessão, por 30 / 50 / 75 / 99 anos, com determinada renda e/ou compensação de outra índole para o Município, por parte do futuro concessionário (e construtor), seria pior para o interesse público e/ou fosse menos eficiente, eficaz ou tivesse menor qualidade, para a transparência e gestão pública.

Procurar “vender" - alienar em hasta pública, um bem que tem OBJETIVAMENTE, dinheiro público investido de 1.665.000€ (preço aquisição + obras consolidação), para o qual existem avaliações que variam entre os 2 e os 5milhões€, por um valor base mínimo de 1.350.000€, é não só, na minha opinião ilegal, como configura a meu entender, a ser concretizado, um ato de gestão danosa.

Foi nesse sentido, que o meu voto de deputado municipal (na altura) foi contra, mas que foi insuficiente para a sua aprovação, que se viria a concretizar com 15 votos favoráveis e apenas 13 contra.

Desde então, passado mais de meio ano, não há quaisquer novidades sobre esta tentativa de alienar bens públicos, abaixo do valor de custo ou de avaliação, mantendo a esperança que o Ministério Público, junto do Tribunal Administrativo e Fiscal de Leiria, dê seguimento à apreciação da conformidade administrativa de tal decisão.

Tomar não pode, nem deve, continuar a ser tolerante com estes abusos de poder, os quais irritantemente teimam em se repetir, sem que pareça haver um final para tal. Com este tipo de atitudes vem recorrentemente Tomar a ser prejudicada e, veja-se os anos que levam de atraso as obras de Palhavã - só para citar um exemplo, a ficar para trás naquilo que é o desenvolvimento sustentável do seu espaço Concelhio.

Tomar merece isto? Certamente que não!

(Artigo publicado no Jornal "O Templário", de 20/4/2018)





QUANTO VALE O CONVENTO DE SANTA IRIA?*

A administração pública, seus órgãos e agentes, estão obrigados ao escrupuloso cumprimento da lei, não podendo deixar de, em todos os seus atos e decisões, sem violar os direitos dos cidadãos, garantir o interesse público e só a este estar sujeito, na apreciação das suas decisões.

Assim, está vedado pelas próprias regras contabilísticas em vigor na administração local – POCAL, que o valor dos bens quando tenham resultado de aquisição, possam ser outros a levar em linha de conta, que não esse mesmo valor. Talvez desconhecedor desse facto, o leitor Francisco Manuel da Cruz, discorda do meu artigo, quando nele defendi que “procurar vender, alienar em hasta pública, um bem que tem OBJETIVAMENTE, dinheiro público em montante de 1.665.000€ (preço aquisição + obras consolidação), para o qual existem avaliações que variam entre os 2 e os 5milhões€, por um valor base mínimo de 1.350.000€, é não só, na minha opinião ilegal, como configura, a ser concretizado, um ato de gestão danosa”. Tem todo o direito de discordar, mas essas são as regras da administração pública portuguesa e a ela estamos todos obrigados.

Claro que o acompanho na leitura que o valor pode não ser o mais “apelativo” para uma venda, uma vez que o preço de aquisição parece ter sido demasiado elevado. Talvez por isso mesmo, anterior tentativa de vender pelo valor de aquisição, não teve interessados – no mandato de 2009-13.
Foi por isso mesmo que a opção inicialmente tomada no mandato passado, em novembro de 2013, foi o de procurar estabelecer um período de concessão, que fosse suficientemente apelativo para um concurso de conceção-construção-exploração. Foram essas as instruções dadas pela presidente e foi também nesse sentido que foi inicialmente contratado um gabinete jurídico em Coimbra, para a preparação do respetivo contrato, o que nunca viria a ser feito. O súbito interesse por investimentos hoteleiros por dois promotores, em 2014, veio a ditar uma decisão primeiro de adiamento do processo de concessão, da produção do respetivo projeto de concurso e, finalmente em 2017, a opção novamente para se tentar a alienação.

A minha opinião enquanto fui vereador, no mandato de 2009-13 e posteriormente chefe de gabinete, de 2013 a 2015, foi sempre o de se encontrar uma solução de conceção-construção-exploração, que permitisse que os imóveis não se degradassem e, no estrito cumprimento da lei, sem prejuízo para o erário público, devolvendo este espaço requalificado a Tomar. Foi precisamente isso que propus e para o qual me empenhei. Tal e tais razões, levaram-me a votar contra na assembleia municipal de setembro de 2017, a decisão de autorizar a alienação pelo valor base de 1,35 milhões€.

Mantenho que, a ser tomada alguma decisão administrativa, que possa alienar os imóveis pelo valor base, tal colocará quem o efetivar, a começar pelo chefe de divisão financeira, pelo vereador e/ou presidente da Câmara, ao abrigo da acusação de gestão danosa, que decerto o Ministério Público junto do Tribunal Administrativo e Fiscal de Leiria, não deixará de produzir.

Mas esse risco não existe, uma vez que tal autorização dada pela assembleia muncipal em 2017, mais não visou do que dar suporte legal à “expetativa de receita”, nesse valor de 1,35milhões€ e assim poder, legal e contabilisticamente, aumentar o orçamento em vigor no ano de 2018. Nunca o objetivo foi vender, mas apenas criar um subterfúgio legal para justificar despesa municipal.

Infelizmente, ao não se ter dado seguimento ao projeto de concessão, pelo qual me bati debalde, primeiro como vereador e depois enquanto chefe de gabinete em 2013-14, permitiu-se que hoje, passados quatro anos, tudo continue na mesma.

Tomar merece isto?

*Luis Ferreira, ex-vereador do Município de Tomar
(Artigo a publicar no jornal "O Templário" de 18/5/2018)




Posição oficial do PS, em 14/2/2009, sobre a tentativa de venda do Convento de Santa Iria (http://pstomar.blogspot.pt/2009/02/ps-evita-que-processo-da-venda-do.html)

Tendo tido forte oposição por parte do PS, secundado por outros vereadores, o PSD foi obrigado mais uma vez, a retirar da ordem de trabalhos da reunião de Câmara, ontem realizada, o processo de "ALIENAÇÃO DO CONVENTO DE SANTA IRIA / EX-COLÉGIO FEMININO".

O Partido Socialista de Tomar julga assim ter contribuido para evitar mais um triste e enfadonho processo de errados pressupostos e indefinidas consequências para Tomar.


O Vereador Carlos Silva ditou a seguinte Declaração para a acta:

Em relação à matéria em apreço, ressaltam algumas questões:

1. Estão já sanadas as questões jurídicas pendentes em relação ao antigo colégio feminino?

2. Como fica salvaguardada a Capela, integrada no convento mas que tem outro proprietário?

3. A Câmara Municipal previu no orçamento de 2008 a verba de 5.000.000,00 € (cinco milhões de euros) por esta venda, propõe agora 1.500.000,00€ (um milhão e quinhentos mil euros), que avaliação foi efectuada antes e agora?

4. Quais as condicionantes em relação à parte classificada? O IGESPAR está alertado para a situação?


Independentemente de todas as questões que acabo de colocar, a posição do PS em relação a este assunto diverge diametralmente da proposta ora apresentada.

Entende o PS que o modelo ideal para a resolução do grave problema criada pela Câmara Municipal com o abandono após a aquisição deste conjunto edificado se baseia num concurso de concepção, construção e exploração.
Só desta forma se dará resposta a dois pressupostos que para o PS são da maior importância, com vista à defesa do interesse do Município:

1º - Manutenção do controlo por parte do Município de tão importante património;

2º - Salvaguarda do Município quanto a acções especulativas imobiliárias após ter adquirido e deixado vários anos ao abandono este conjunto edificado.

9.5.18

Das obras de milhões, não sobram tostões?

O grande problema do Marketing, é que ele só pode promover bem, o que ainda não é conhecido, ou sendo-o faça valorizar os seus aspetos novos ou que, em comparação com concorrentes, o valorizem.

Imaginem agora que tinham de fazer o marketing atual, após 5 anos do texto seguinte, o que diriam?


"Infelizmente para Tomar, o Município tem conhecido um, triste, historial de obras de milhões mal planeadas no uso futuro de diversos equipamentos. Eis três exemplos que o demonstram:
não fosse já demasiado grave tudo o que envolve o milionário negócio do parque de estacionamento atrás da câmara, há ainda no seu terraço uma área destinada a instalar um café e esplanada… até hoje vazio e a degradar-se;
no Mouchão, depois dos milhões das obras do Programa Polis, há uma espécie de cabine que até hoje nunca se soube para que serviria e até hoje sem utilização, muito embora os sanitários sejam inexistentes;
já do outro lado do rio, junto ao parque infantil e zona desportiva, existiu durante muitos anos um café/restaurante que foi demolido. Ao invés do que se faz em qualquer concelho moderno, toda aquela zona ficou sem um espaço de cafetaria que pudesse servir de suporte aos cidadãos.
Estes exemplos, entre muitos outros que é possível observar no núcleo turístico do concelho de Tomar, demonstram total desperdício, mera casualidade, falta de rigor e capacidade, completa irresponsabilidade e ausência de planeamento.
Entretanto tardam obras de recuperação nas habitações sociais do Município, onde em dois anos da programada intervenção total em oito habitações, só houve (tostões) para iniciar a reparação de quatro. Isto sem falar em inúmeros telhados que precisam de ações de manutenção.
Anabela Freitas está atenta e pretende inverter esta ordem das opções.
Para ela planear significa antes de mais definir prioridades, saber que sendo os recursos escassos, obras e outras atuações devem ser colocadas numa escala de urgências e emergências de modo que sejam avaliados, entre mais, o equilíbrio entre custos e benefícios para as pessoas! Depois, decidida a execução, a mesma deve ser implementada de forma a eliminar o redundante, o dispendioso ou inútil, tudo canalizando para aquilo que verdadeiramente importa. Em todo este processo há que ter ainda em conta o mínimo de prejuízo para os cidadãos em geral, desde logo com os transtornos que decorrem a execução da obra em si mesma.
Lembrar esta questão, determinante na atuação da câmara PSD nos últimos anos, no momento atual tem uma relevância maior. Estão em fase final as demoradas obras de requalificação do acesso ao Castelo Templário e Convento de Cristo, também elas “feridas” de vários erros de planeamento e, entre mais, também lá se prevê a existência de um espaço de cafetaria para servir de suporte aos visitantes. Virá este a tornar-se mais um exemplo a juntar aos demais? "

Boletim, "A Mudança", abril de 2013

Dou um exemplo:
A cafetaria...
Agora sabemos que vamos investir milhões na requalificação da entrada de Tomar, na Várzea Grande e no Largo do Colégio...
Mas, e a habitação social?

3.5.18

Património Evolutivo Vivo - exemplo de sustentabilidade de Sistelo

Quando começamos nos anos 80 a ter património classificado, entre o qual o nosso Convento de Cristo e Castelo Templário de Tomar, estávamos longe de imaginar a sistemática classificação que, primeiro os patrimónios edificados, depois as expressões culturais e mais tarde as paisagens/ambientes, iriam ter na vida mundial.

O Homem do século XXI é o Homem mais viajado de todos os tempos. Nunca tantos viajaram tanto e para tão longe. Mas, se o Turismo foi a "nova" grande industria do século XX, a Cultura é cada vez mais a grande indústria do século XXI. Hoje viajamos cada vez mais para ver uma exposição, assistir a um concerto, visitar um espaço - com pessoas ou com paisagens, como nunca o fizemos no passado. Chamam-lhe Turismo-cultural, mas estou em mim que é mesmo Cultura, pois o sair "de nós" mesmos é o mais emergente ato de cultura, começado se calhar com o endeusamento de todos os elementos e, bem assim, com a criação de Deus, com extensão da imaginação não passível de racionalizar.

Eis que, de quando em vez, somos surpreendidos pela Cultura que está aqui ao virar da nossa esquina. Sim, porque também em Portugal temos exemplos únicos e exemplarmente preservados de lugares, paisagens, ambientes e vivências, que surpreendem qualquer um. E não, não precisamos de apanhar nenhum avião para os visitar, para os "viver".

Eis o exemplo da aldeia de Sistelo, no concelho de Arcos de Valdevez.
E ainda há quem ache que promover e dar assim a conhecer não é a essência da vida e da economia moderna..

Este lugar - Sistelo, está a caminho de classificação como Reserva Mundial da Biosfera, pela UNESCO.

É bom saber que o nosso Convento de Cristo/Castelo Templário, vão ter mais um parceiro na UNESCO. E um parceiro que nos lembra que o apelo da sustentabilidade, como vida, é possivel e desejável. 
Aprendamos!

30.4.18

A promoção de Tomar e as polémicas "idiotas"

As últimas duas semanas foram pródigas em acontecimentos relacionados com a promoção de Tomar, sobre a cultura ou melhor sobre a sua eventual falta, de alguns que devendo olhar além do capô do carro, numa expressão muito cara à nossa Presidente da Câmara, usaram de pouca - cultura e tolerância, perante as opiniões diferentes.

É que não tem cultura quem quer, nem é tolerante quem disso faz profissão de fé, mas quem o sabe fazer, hoje como ontem...


Tomemos primeiro a visão da Floresta, em lugar de olhar já para a árvore.
Stand do Município de Tomar, adquirido em 2010, em montagem na ExpoGalicia de Vigo (Galiza)

Mercê de acasos da vida política vi-me nos últimos meses de 2009, com atribuições delegadas na gestão política, e operacional por falta de dirigente, do Turismo Municipal de Tomar. Desde então, as muitas dúvidas que já tinha, reforçaram-se sobre a melhor estratégia para o seu desenvolvimento, baseado ou não, essencialmente no esforço público municipal. 
Aprendi antes, fruto das diferentes funções públicas que fui tendo e, especialmente depois dessa oportunidade que tive, que não havia, nem há, opções únicas nem caminhos totalmente certos. 
Hoje mais do que nunca, tenho imensas dúvidas mais do que quaisquer certezas, sobre o posicionamento estratégico, do desenvolvimento turístico do Município de Tomar.

Mas as poucas certezas que tenho, estão relacionadas com a necessidade de permanentemente promover Tomar e de receber bem os turistas que aqui aportam, resultado ou não dessa estratégia. 
Sobre tudo o resto mantenho uma saudável montanha de dúvidas, quase tão grande quanto as dívidas municipais e os constrangimentos que tal gestão, desde há vários anos, nos obriga a ter em Tomar.


Os bons exemplos do passado e do presente

Decoração promocional de 2018 do Município de Tomar, para Feiras e outros espaços - inaugurado na recente Feira Internacional de Turismo (FIT) na Guarda - especialmente vocacionada para o mercado espanhol
Assim, quanto a mim a estratégia adequada é sempre a de aproveitar todas as oportunidades, sejam elas Congressos, Seminários, Feiras - nacionais e internacionais, bem como os media de grande difusão, nomeadamente televisões, ou os diretamente relacionados com nichos de mercado, para promover Tomar como destino.

Uma estratégia adequada foi a definida há cerca de 20 anos, quando o marketing municipal decidiu agarrar o mote TOMAR, CIDADE TEMPLÁRIA, provendo mesmo antes da moda das temáticas esotéricas (onde se insere a simbólica Templária), especialmente desenvolvida após o sucesso das obras de Dan Brown, como o Código Da Vinci (em 2003). 
Foi, quanto a mim, um dos dois maiores acertos da governação PSD de António Paiva (1998-2007).

Na sequência deste marketing institucional, houve necessidade e vontade de prover à participação de Tomar, de forma autónoma, em certames nacionais e internacionais. 
Mas, no final de 2009, Tomar não tinha sequer um conjunto de elementos de divulgação, que ajudassem a essa presença. 
A forma de promoção era desgarrada, não havia produção de spots televisivos para promover os eventos gastronómicos ou de outra natureza. 
Isso foi feito pela primeira vez em 2010, bem como a produção de um stand institucional, o qual esteve presente pela primeira vez na Expogalecia (Vigo) em outubro/novembro de 2010.
Aí foi feita também promoção da Festa dos Tabuleiros que se realizaria no ano seguinte, através da freguesia de S.Pedro.

Depois de vários anos sem utilização, nem presença de Tomar de forma autónoma em certames nacionais ou internacionais, decidiu este executivo e bem, quanto a mim, julgo que através da vereadora do Turismo, prover à produção de elementos que permitem uma presença institucional autónoma do Município. Não sendo um stand, tem perante este a vantagem da facilidade de montagem, portanto a portabilidade, que por exemplo o produzido em 2010 não tinha. Uma evolução positiva, portanto.


Presença de Tomar na FIT - Guarda, 2018




A presença institucional dos rostos do Município nas redes e eventos externos

Qualquer deslocação de representantes do Município ou de delegações mais ou menos extensas, levantam nesta terra pequena, uma mão cheia de invejas de tamanho na razão inversa à razoabilidade dos detratores.

Recordo-me quando no início do 2013, num esforço pioneiro de um conhecido agente turístico de Tomar, ter arrastado a ADIRN e com ela o então Presidente Carlos Carrão (PSD), à terra espanhola de Ponferrada, com ampla delegação cultural, que abriu portas desta terra Templária, à atual tentativa de criação da Rota Templária - como itenerário cultural europeu, reconhecido pelo Conselho da Europa (sediado em Estrasburgo). Polémica também...

Na mesma linha, quando em 2014, uma delegação chefiada pelo atual vice-presidente Hugo Cristóvão (PS), integrando diversos agentes ligados à matéria Templária, se deslocou a Troyes (França), dando continuidade ao esforço da Associação Templ'anima, que integrou a delegação. Esta,  isoladamente abrira caminho em 2012, espaço para esta relação de Tomar com a cidade onde foi efetivamente foi fundada a Ordem dos Templários, no coração da Champagne francesa. Mais polémica...

Novembro de 2015 - membros participantes da reunião da "Rota" em Tomar

Menos de um ano depois, já em 2015, igual delegação, por mim coordenada enquanto chefe de gabinete da presidência e acompanhado por agentes ligados à Festa Templária, incluindo a atual chefe de divisão de cultura, deslocou-se à cidade Templária de Monzon (Aragão), para participar num seminário internacional sobre as ordens religiosas, em continuidade ao esforço de estabelecimento de laços culturais, para fortalecer a futura "Rota". Nova polémica...

Primeira reunião prévia à constituição da Rota dos Templários - Itinerário Cultural Europeu

De todo este esforço de internacionalização, continuado com a presença da Presidente em diversas reuniões, em 2014, 2015, 2016 e 2017, em Ponferrada, em Paris, em Estrasburgo, tendentes à criação efetiva da Rota Templária, levantaram sempre iguais polémicas. Ou, memso as suas deslocações a Córdoba, a Israel ou a outras cidades, sobre a temática judaica. Tomar, parece alimentar-se sempre de alguma tacanhez e invejosice...

De igual forma, as deslocações do vice-presidente a cidades portuguesas ou aos Açores, sobre a temática das Festas do Espírito Santo, sempre estiveram sobre "observação"...

Ou, ou, ou...

Agora é a polémica da vereadora do Turismo se deslocar à India, a expensas municipais, para participar num encontro internacional de um movimento de mulheres - no politiquês correto, de género, da qual faz há anos parte. Levantaram-se diligentes arautos do erro de tal deslocação. Que a vereadora estava diretamente ligada à organização, que o evento não teve qualquer interesse, que daí não advém nenhum ganho para Tomar, etc, etc...
Ficou-se, logo que tal deslocação foi anunciada, através da página de facebook do vice-presidente, confirmado posteriormente na reunião de Câmara pela própria presidente, que para o ano de 2019, se realizará na nossa cidade um evento internacional de tal organização - a www.wef.org.on).

Esta organização, que se assume como "a place for ordinary women to seek to rise to extraordinary heights.A place for dreamers and achievers to learn and explore. A place for living life to its fullest while embracing personal growth. A place to love and care and contribute to societal upliftment", está ligada à ALL Ladies League (www.aall.in), presente em 150 paises assume-se como "the Largest global women chamber in the world", um grupo de "pressão", sobre os direitos das mulheres e da sua eterna luta pela igualdade de direitos e oportunidades.

Alguns dirão que em Portugal e na nossa cidade tal não é necessário, pois além de termos uma presidente e uma vereadora, entre os quatro autarcas a tempo inteiro, metade do gabinete político é do género feminino - chefe de gabinete e adjunta, mas esse é apenas a parte autárquica... Há ainda um longo caminho a percorrer na efetiva igualdade de género em Portugal e em Tomar.

Não vejo como pode Tomar ser prejudicada por esta participação, por esta nossa "aventura" internacional, que se possa juntar ao nosso enérgico grito Templário, ao nosso ecuménico internacionalismo espalhado pela Ordem de Cristo e à nossa permanente e estratégica presença no caminho judaico europeu. Se um dos "negócios" do futuro é a da afirmação de género, sendo certo que 52% da humanidade é do sexo feminino, porque não tirar Tomar partido disso?

O grande erro da vereadora da cultura e do turismo não é ter ido, paga pelo erário público, participar num evento de uma organização da qual desde 2014 faz parte da sua delegação portuguesa, e assim ajudar a promover, mais uma vez Tomar. 
O único erro desta vereadora, da qual se desconhecia até há bem pouco tempo qualquer proximidade com o PS - partido pelo qual foi eleita, como aqui já chamamos à atenção, há meses, foi o de acumular a responsabilidade municipal de gestão da cultura e turismo, com a presidência da direção da Banda Nabantina, associação que tem como atividade exclusiva a cultura

Convém recordar os mais afoitos na crítica do trabalho internacional, da presença durante anos de António Paiva (PSD) - entre 1998 e 2007, num forum internacional de presidentes de Câmara, sobre o qual não se conhecem quaisquer resultados práticos para Tomar, durante uma década inteira.


Leiamos algumas notícias...


TOMAR – Concelho representado em Fórum Internacional realizado na Índia. E para o ano… será na cidade nabantina!
O concelho de Tomar está representado na Índia, precisamente no Women Economic Fórum, ocasião aproveitada para a vereadora Filipa Fernandes, eleita pelo Partido Socialista, «estreitar laços» com aquele país asiático e ainda para abrir «possibilidades de investimento», assegurou, nesta segunda-feira, a presidente da autarquia nabantina, Anabela Freitas, que justificou esta presença, também, face ao convite que o Município nabantino recebeu – assim como o de Abrantes – na sequência da presença do Embaixador da Índia em Tomar, por ocasião da recente Festa dos Tabuleiros. E esta parceria já dá frutos uma vez que este Fórum, que “movimenta” cerca de mil pessoas, irá realizar-se pela primeira vez em Portugal em 2019 e o local escolhido… foi Tomar, precisamente entre os dias 23 e 26 de Março. Refira-se, no entanto, que a presença de Filipa Fernandes em Nova Deli tem estado associada a muitas dúvidas e polémica e tanto assim foi que Francisco Madureira, vereador do PSD, pediu para que Anabela Freitas esclarecesse aquilo que estava em causa, não deixando, ainda, de classificar como «importante» este tipo de iniciativas.
Reprodutor de áud
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Notícia do mediotejo.net
Por Elsa Ribeiro Gonçalves
Devido à polémica nas redes sociais sobre a recente deslocação da vereadora Filipa Fernandes (PS) à Índia, para participar no “Women Economic Fórum”, o vereador Francisco Madureira (PSD) solicitou na última reunião de câmara que a presidente da autarquia esclarecesse esta deslocação “para sanar a polémica”, sublinhando que o PSD concorda com tudo o que possa promover Tomar no estrangeiro.
Anabela Freitas (PS) explicou que têm sido estreitados laços com a embaixada indiana de forma a captar investidores para o concelho e que a câmara foi contatada no sentido de, em 2019, Tomar acolher este mesmo evento, onde agora a vereadora participou.

Disse ainda que o município vai aceitar o repto uma vez que permite projetar Tomar a um conjunto vasto de países. O evento vai realizar-se em Tomar em março de 2019.

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A idiotice

O caso podia ter ficado por aqui, como mais um simples nota de rodapé, como todos os anteriores, esperando todos nós como munícipes que da tal presença internacional da vereadora da Cultura, resultem frutos reais e efetivos perante mais esta rede na qual Tomar, ou melhor as mulheres de Tomar, estão agora ligadas. 
Resultados do trabalho internacional, ninguém honestamente pode esperar que aconteçam no dia seguinte ao seu desenrolar.

Volto aqui a dar o exemplo da dimensão Templária, a qual está há vinte anos a ser trabalhada, indo já no quinto mandato autárquico e no terceiro de algum efetivo investimento nas redes, a qual só agora parece ter algum caminho, perante a efetivação da Rota Templária, cujo site (provisório) pode aqui ser visualizado (http://www.templars-route.eu/fr/)
Em Turismo e no trabalho internacional, as ações de promoção e a estratégia, demoram anos a dar resultados, sendo que nem sempre os dá.

Mas, eis que o vice-presidente Hugo Cristóvão, o mesmo que quando presidente do PS local, se disse mais tarde envergonhado com a minha célebre expressão, quando fui vereador da cultura em 2010, ter escrito nas redes sociais sobre o escritor Lobo Antunes, em pleno verão de polémica deste com a instituição castrense a propósito da guerra colonial, de este ser "convencido, pedante e armado ao pingarelho".

O nosso vereador tem sido nos últimos três anos, useiro e vezeiro, em atitudes e expressões na minha opinião inapropriadas à função que superiormente e em nosso nome, exerce. Quer com "ameaças" a cidadãos que com ele discordam, especialmente nas redes sociais, quer com dirigentes associativos que noutras qualidades o criticaram, em plena reunião de Câmara ameaçados - caso da atual vereador Célia Bonet (PSD), quando no mandato passado foi "aconselhada" a calar-se enquanto presidente da Cáritas de Tomar, por receber subsídios da Câmara... Não era este o Hugo Cristóvão que conheci e que mereceu sempre o meu apoio, para o exercício de todas as funções políticas e públicas em que tem estado. O poder parece ter, perante alguns, efeitos nefastos e propiciadores de algum desrespeito perante as opiniões, mesmo que diferentes dos outros.

O comentário incendiário...

Comentários para quê? 
É isto que temos e este o nível a que chegámos em Tomar...

Tomar, merece isto?