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23.4.18

Energia limpa, os exemplos das Torres Solares - Austrália e Andaluzia

Ainda há quem diga que não há soluções para a produção de energia "limpa".
Quantas guerras não seriam evitadas? Quantos milhões de pessoas não continuariam a viver hoje, se investíssemos nas opções tecnológicas existentes ou a descobrir, para ter a energia que precisamos para o nosso presente e futuro?

Um exemplo...


Mais informações sobre o que está a ser feito na Austrália, aqui.

Leia aqui sobre o exemplo da Torre de Sevilha.
Saiba ainda mais aqui

20.4.18

O Rio está poluído, mas afinal não é ninguém...

Vão gozar com outro, diria o povo e é verdade.

É ler o texto e pasmar...

(Notícia original)

TOMAR – Última hora. APA responde a esclarecimento da Hertz sobre poluição no Nabão: ETARs estão ilibadas e confirma-se “forte presença de fezes”


Quem o garante é a Agência Portuguesa do Ambiente, em resposta exclusiva a um pedido de esclarecimentos remetido pela Hertz: as Estações de Tratamento de Águas Residuais de Formigais e de Seiça estão ilibadas da poluição que tem afectado o Nabão desde os últimos meses, sendo que está confirmada a “forte presença de fezes” na água do rio. Eis o teor da resposta da APA:
“Na sequência dos diferentes episódios de poluição registados no rio Nabão a APA-Agência Portuguesa do Ambiente, em conjunto com o SEPNA-Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente da GNR realizou diversas fiscalizações ao longo da bacia hidrográfica do rio. 
Foram verificadas as duas ETAR situadas no concelho de Ourém, bem como foram verificadas as margens do rio para detetar eventual origem do problema. Das duas ETAR verificadas foi possível constar pela APA o seu correto funcionamento, quer pelo auto controlo, quer pelas analises ao efluente final, efetuadas. 
A APA efectuou também a colheita de amostras de água do rio Nabão em Tomar, verificando-se que a contaminação apresenta fortes indícios de contaminação fecal. Foi promovida uma reunião no Ministério do Ambiente, a pedido do Município de Tomar, tendo-se acordado na mesma da necessidade de despoletar uma reunião conjunta entre os municípios de Ourem e Tomar e esta Agência, encontro que ocorreu no passado dia 12 de março. 
Ficou acordado entre os municípios referidos e a APA que uma equipa conjunta dos dois municípios iria fazer um levantamento exaustivo de eventuais ligações incorrectas de efluentes domésticos nos colectores pluviais, inventariar igualmente zonas onde as redes não são separativas, e em que com forte pluviosidade conduza a descargas para a linha de água de caudais contaminados. 
Foi, igualmente, combinada a necessidade de avaliar o funcionamento das estações elevatórias, designadamente quando o caudal que rececionam não seja compatível com os meios de elevação instalados, provocando o funcionamento do by-pass. 
Da análise já feita por um dos municípios às redes de saneamento já foram detetadas algumas ligações incorretas, situação que irão ser corrigidas. Continuam previstas mais fiscalizações ao longo do rio para detetar alguma descarga industrial ou agro pecuária”.

17.4.18

Mudança de sexo, sem recurso a demonstração médica de tal necessidade, é um absurdo

Sempre fui e continuo a ser um defensor do direito individual do cidadão dispor do seu corpo e da sua vida, da forma que entender por adequada e que causem a melhor felicidade.

Por isso, fui sempre favorável a todas as despenalizações, quer pela opção de interromper a gravidez, pela sua opção de vida sexual, pela eutanásia. Considero o direito à vida, como direito universal inalienável e, por isso mesmo, continuo frontalmente contra qualquer forma de outros, sejam em resultado de convenções sociais ou de justiça, possam determinar a morte, como "reparação" para outro(s) ou para a sociedade.

Para mim a liberdade individual, de decisão, sempre me levou a abraçar as causas dos homossexuais, na sua demanda permanente, pelo respeito e reconhecimento da sua opção de vida privada, às quais se estenderam as suas lutas pelo reconhecimento de outros direitos sociais, nomeadamente pelo respeito das suas opções minoritárias, como base no princípio da tolerância que todas as maiorias devem ter pelas minorias.

Tudo isto que acabei de descrever, sempre me levou a considerar que os direitos não estão permanentemente defendidos e que, aqueles que como eu acreditam mesmo que o Homem deve ser livre e justo, não podem nunca claudicar pelo efeito das "modas" ou dos apelos fanáticos de religiões e outros extremismos que, apelando muitas das vezes aos mais básicos dos  sentimentos, baseados em análises dogmáticas, acabam por escravizar os Homens, reduzindo-os à sua mera condição de "peça de uma engrenagem", sem qualquer humanismo ou respeito pela sua individualidade.

Vem tudo isto a propósito, da recente aprovação de uma proposta de lei que, segundo aquilo que é notícia, permitirá de agora em diante, que qualquer cidadão, maior de 16 anos possa, apenas por que quer, alterar no seu Cartão do Cidadão, o seu sexo e nome.

À primeira vista parece um avanço civilizacional, o Estado aceitar que qualquer um possa dispor de decidir ser deste ou daquele sexo. Os defensores dos direitos das minorias sexuais (LGBT) rejubilaram e consideram mesmo que foi dado um passo inexorável no caminho da liberdade individual e respeito social pela diferença.

Volto a frisar: parece!

Pois olhemos de novo: será aceitável que eu, com 51 anos, nascido do sexo masculino, sem ter promovido qualquer tratamento para mudança (física) de sexo - por opção livre, devidamente confirmada por colégio médico, me possa dirigir ao registo civil e aí, pagando 15€, alterar o meu nome e sexo, como se tivesse mudado de morada?

Aliás. Será aceitável considerar que eu o posso fazer, um jovem de 16 anos, devidamente autorizado por quem detiver o poder paternal o faça também, mas um jovem de 15 anos, ou uma criança de 8 anos, nascida hermafrodita, que se tenha sujeitado a determinação (física) do seu sexo, por alteração do registo inicial, o não possa fazer?

Ou seja: mudar de sexo, por assumpção pública, através do nome e respetivo registo, deve ser uma questão de opção, como se tratasse de escolha de parceiro sexual, ou ser tratada como uma questão de saúde e, devidamente certificada pelos profissionais do setor ser, a todo o tempo, registada e ser assim publicamente reconhecida?

Julgo que os nossos legisladores - na Assembleia da República andaram mal a deixar a lei assim, com limite de idade e sem determinação médica, para que a alteração do registo do sexo se pudesse fazer. Prestaram um péssimo serviço aos direitos das minorias e os grupos radicais que, a todo o tempo, nos tentam impor um novo determinismo de que é a diferença que é normal e não o normal que é diferente, acabam por colocar em causa a liberdade individual e o respeito que todos devemos ter pela diferença.

Para mim as questões de saúde, diria mesmo de "erro" de sexo, ou de opção individual de mudança do mesmo, só pode ser determinada por colégio médico e não "apenas" porque apetece. Já imaginaram a injustiça que é para uma criança nascida "quase" homem, mas que se sente "mulher", após tratamentos para "acerto", ter de esperar pela adolescência aos 16 anos, para ver esse direito e "correção" assumida pelo registo civil e,a ssim, ser oficialmente reconhecida pela sociedade?

Ou, visto de outra forma. 
Imagine-se... Eu, homem de 51 anos, político com vários mandatos de autarca, se em 2021 decidir concorrer de novo, mas pela existência de uma lei de paridade (que será aprovada brevemente na Assembleia) que obriga a que 40% dos candidatos sejam de determinado sexo, não tenho "espaço" na respetiva lista por ser homem. Dirijo-me ao registo civil, pago 15€, mudo o meu nome (ou nem isso faço), para Luisa Ferreira, passo assim a ser (legalmente) mulher e concorro pela "quota" feminina da respetiva lista...

A lei permite, continuo a ser o mesmo, obviamente homem, mas legalmente serei mulher. Isto faz algum sentido?

Obviamente os exemplos que dei, são o limite, mas a lei ao não considerar limites de aplicação, presta um mau serviço aos direitos humanos e à República.

Obviamente que a única coisa que se espera do órgão Presidente da República, é o respetivo veto, para que a lei possa defender os direitos daqueles que vivendo em exclusão e incompreensão social, posam ver os seus direitos reconhecidos, sem limites de idade e sem acrescentar problemas às soluções que procurava encontrar.

Já agora, dava muito jeito que os deputados e/ou as respetivas assessorias lessem bem e analisassem bem as consequências do que propõem e depois aprovam. Senão, como neste caso, dá disparate.



Termino convidando a ouvir e a pensar no porquê de algumas das coisas que julgamos "resolvidas" nestes tempos, estranhos, em que com pouca humanidade e profissionalismo, os nossos governantes dispõem da nossa paciência, até um dia...


11.4.18

O que têm visto os leitores do blogue?


6º - 3214 visitas - Pintar de imediato o muro junto ao parque desportivo
7º - 2913 visitas - Pedro Marques de novo ao assalto no PS
8º - 2862 visitas - Feira de Santa Iria, o grande falhanço da gestão da CDU
9º - 2821 visitas - A questão energética da Europa - breve abordagem de incidência regional (2007)
10º - 2682 visitas - Deixar de sonhar a cidade (abordagem crítica ao estudo prévio da Várzea Grande)

11º - 2572 visitas - Quem quer ter como Presidente da Câmara uma condenada pela justiça

12º - 2255 visitas - E o Presidente da Câmara é... Anabela Freitas
13º - 1932 visitas - Portugal é o porto do Graal (2009)
14º - 1880 visitas - Uma mentira repetida pode parecer verdade, mas não deixa de ser mentira
15º - 1731 visitas - Lojas Maçónicas nas proximidades de Tomar, na implantação da República (2013)

21º - 1404 visitas - Hoje é dia do bombeiro português (2011)

22º - 1354 visitas - Conselho Municipal de Segurança deve reunir em Tomar
23º - 1296 visitas - The knigths Templar region of Portugal
24º - 1275 visitas - Os homens também choram
25º - 1244 visitas - Abrantes é mesmo a caminho de onde?

26º - 1184 visitas - Candidatura conjunta do PS e da CDU à Câmara - a resposta óbvia à candidatura de Boavida!
27º - 1148 visitas - Falta de rotunda na requalificação da A.Nuno Álvares, é gastar dinheiro sem norte
28º - 1107 visitas - Elegemos pessoas para governar, não para arranjar desculpas
29º - 1103 visitas - Festa Templária evoca o Cerco ao Castelo de 1190
30º - 1083 visitas - Para salvar o Hospital de Tomar

31º - 1080 visitas - Assembleia Municipal de Tomar (previsão de resultados)

32º - 1070 visitas - Só é vencido, quem desiste de lutar
33º - 1068 visitas - Estacionamento tarifado na cidade é urgente e necessário
34º - 1065 visitas - Revisão do PDM de Tomar, propõe triplicação da cidade
35º - 1060 visitas - Em outubro será rodado em Tomar um filme que procura figurantes 

36º - 1036 visitas - O porquê da existência da Festa dos Tabuleiros

37º - 1019 visitas - IC9 construído dentro de semanas (2012)
38º - 1016 visitas - Comboio Turístico está de novo em funcionamento (2013)


5.4.18

Desemprego em Tomar deve estar em valores já próximos de 5%

Ao contrário do que aquilo que a maioria dos Tomarenses percepciona, o Concelho de Tomar tem habitualmente taxas de desemprego bem abaixo da média nacional e em valores sempre muito próximos do Médio Tejo - que é sempre um dos mais baixos do País, sempre destronados pelas regiões de Aveiro e de Leiria.

Fonte Pordata - inscritos nos Centros de Emprego
Os valores das taxas de desemprego, variam em Tomar, os 73%-89%, da média nacional. Em 2001 era de 4,1% (a mesma que no Médio Tejo e a média nacional era de 4,7%). Em 2012 era de 8,2% (no Médio Tejo era de 7,8% e a nível nacional 9,6%). Em 2016 era de 5,7% (no Médio Tejo era de 5,8% e a nível nacional de 7,8%).

Dado que nos últimos anos, a taxa de desemprego no Concelho de Tomar, se veio a tornar cada vez mais baixa, face à média nacional, não é de estranhar que aos 7,8% (medidos pelo INE) a nível nacional no final de fevereiro, se possa estimar que no Concelho de Tomar ronde os 5%.

Nota: os valores dos inscritos nos Centros de Emprego são sempre inferiores à estatística do INE, numa correlação de 80-90%

Este é um valor historicamente baixo, sendo já há alguns meses sentida a falta de trabalhadores em algumas áreas de trabalho, como sejam a restauração e a hotelaria.

Fonte: Pordata, inscritos nos Centros de Emprego


30.3.18

Rotunda na ARAL: o estranho caso da oportunidade perdida

Todos sabemos da importância que as obras têm, para a vida nas cidades e, especialmente, par o seu futuro.
Não se constrói debalde. Não se altera apenas porque sim.

O esforço realizado na nossa cidade, especialmente após os projetos realizados a partir das ideias do Gabinete do Arquiteto Carlos Ramos (anos 50-60 do século passado), levaram sempre a cidade a se estruturar com base num crescimento mais ou menos harmonioso, tomando por base eixos centrais de ligação. Com a introdução da "nova" Ponte (Engenheiro Arantes de Oliveira, tomarense e ex-Ministro das Obras Públicas de Salazar), nasceu na EN110 (Entroncamento-Penacova) a Rotunda Alves Redol, em 1966 e posteriormente, já neste século, em 2007, com a construção do viaduto da linha férrea, junto ao Padrão Filipino da "entrada de Lisboa", surgiu a última rotunda.

Entre as duas, apesar de logo no início do Programa Polis, que financiou um estudo de tráfego, realizado pela empresa TIS, em 2004, manteve-se sempre o cruzamento dito da "ARAL", entre a Av. dos Combatentes da Grande Guerra e as Avenidas de Torres Pinheiro e de D.Nuno Álvares Pereira, mesmo com a construção, também em 2007, da Ponte do Flecheiro, que criou a Av. Luis Bonet, batizada assim apenas em 2011, pro proposta por mim apresentada e votada unanimemente na Câmara Municipal.

Infelizmente, por simples teimosia do então presidente António Paiva (PSD), que o estudo "encomendado" à TIS (em 2004), ajudou a justificar, nem a necessidade de uma travessia sul do Rio, onde seria construída a Rotunda do "Padrão", nem a destruição do cruzamento da "ARAL", foram considerados.

Interessante verificar hoje, conforme as imagens de satélite facilmente demonstram, tal rotunda é bem possível, com mínimos acertos nos terrenos contíguos existentes e facilmente mobilizáveis, por interesse público, para tal.
Muito mais "demolidor" foi a colocação nos anos 60 do século XX, da atual Rotunda Alves Redol, com a construção da Ponte "Nova".

Cruzamento da "ARAL"    vs       Rotunda do "Padrão"
Sabemos infelizmente já hoje que o novo programa de investimentos com financiamento comunitário, que irão definir nova Avenida de D.Nuno Alvares Pereira e, bem assim, da de Torres Pinheiro e na ligação à Várzea Grande, da Av. dos Combatentes da Grande Guerra, não equaciona a construção aqui de uma rotunda, facilitando o tráfego e fruição do mesmo neste ponto nevrálgico da cidade, aqui se mantendo uma solução semaforizada, perfeitamente despropositada e descabida, face a toda a lógica de gestão da cidade.

Pena que esta Câmara, hoje gerida por Anabela Freitas (PS), não leve minimamente em linha de conta os ancestrais ensinamentos deixados em Tomar pelo Gabinete do Arquiteto Carlos Ramos, bem como respeite aquele que foi o trabalho de anos realizado pelo PS de Tomar, contestando entre 2004 e 2007, a opção da construção da Ponte do Flecheiro, em detrimento do atravessamento no Padrão - que teria retirado uma parte substancial do trânsito do centro da cidade e, que nega também a evidência da (des)necessidade dos semáforos na "ARAL" e dos benefícios da colocação aí de uma rotunda.

É, será (?), mais uma oportunidade perdida, para Tomar, a qual terá assimde aguardar possivelmente mais uma década, até que aquilo que já há outra (década) era evidente, possa ver a luz do dia.

Em Tomar, tudo teima em ser assim: tempo demais para se fazer aquilo que se acaba por fazer, tarde e depois de se terem perdido (n) oportunidades.
Infelizmente:

Tomar merece isto?

24.3.18

Dia de Congresso Federativo do PS: "Revolution"?

Agora que hoje termino as minhas últimas funções em nome do PS, saindo da sua comissão política distrital, pela natural eleição de outros para essa missão, no Congresso que agora se realiza em Almeirim, é altura de pensar os próximos passos.

Lembrei-me então deste clássico dos Beatles...
Porque seria?


21.3.18

Prémios SPA - reflexo de um país de um pé descalço que não procura o seu par

Texto de Luis Sousa Ferreira, o nosso conhecido conterrâneo "pai" do Festival Bons Sons.

Dizer mais do que ele escreveu é adulterar a verbe perene de saber e razão. Leiamos e choremos...

"Prémios SPA e o reflexo de um país de um pé descalço que não procura o seu par.
Os meus parabéns a todos os nomeados SPA. Fiquei honestamente muito feliz por algumas nomeações. Contudo, existem alguns pontos que gostaria de partilhar convosco, uma vez que faltaram ouvir-se vozes nesta gala que, certamente, estariam representadas caso houvesse tais categorias.
Ainda neste fim-de-semana, num encontro centrado no universo da dança “Encontros para o futuro - O Ensino da Dança: Desafios e Perspectivas”, disse que o problema da cultura e das artes não é a falta de dinheiro. O problema é muito maior e profundo. O problema da cultura em Portugal é a falta de valor que se lhe atribui. Não é apenas um problema de ministérios e orçamentos, que não são a causa mas "apenas" mais um sintoma do afastamento da nossa sociedade da "sua" cultura. Não esqueçamos que as instituições são, muitas vezes, o reflexo disso e a condição disso mesmo.
Não houve um nomeado que pudesse sequer defender e evidenciar que o grande problema de Portugal - que desertifica, queima e anula 80% do seu território - é a falta de um planeamento, que promova a sua equidade. Não o disseram porque não o vivem. Por mais empatia que possa surgir, a dinâmica cultural de Lisboa não percebe o impacto que isto também tem nas curtas carreiras dos seus projectos. Ou seja, todos os nomeados, apesar de fazerem parte de vários circuitos e disciplinas diferentes, eram todos da grande Lisboa. Não porque não haja mais nada fora da capital mas porque o capital é reconhecidamente preguiçoso. Mas como é que os autores da cultura "nacional", que não vivem o país real e que por ele não batalham, podem pedir a esse mesmo país que perceba a iminência das suas causas. O país responde-lhes também com essa falta de empatia. Então urge mediar, não um conflito, mas a falta de interesse que cada parte nutre pela outra. Um país de um pé descalço que não procura o seu par.
O poeta Antonin Artaud defendia que aquilo que é importante não é tanto a defesa da cultura, cuja existência nunca impediu um homem de passar fome; o importante é antes a extracção, daquilo a que se chama cultura, ideias cuja força motivadora seja idêntica à da fome.
Sou um opositor acérrimo dos centros e defensor das periferias, ou já ficaria feliz com um equilíbrio entre elas. Não concebo uma cultura que se vê de um ponto fixo e que a sua dinâmica apenas atinja o alcance dos seus braços. Não concebo uma cultura institucionalizada com uma visão paternalista e com uma acção moralista perante as suas gentes. Podemos falar do ensino, podemos falar dos financiamentos, podemos falar da televisão e do processo expositivo que, no lugar da cultura, implantou um bem mais apático: o gosto pelo entretenimento, onde somos espectadores de nós próprios, até na morte.
Zeca Afonso defendia que uma revolução cultural não era ele poder ir tocar a mais sítios; revolução cultural seria chegar a esses sítios e encontrar música de lá.
Agora como um agente de programação também gostava que um dia alguém subisse àquele palco e dissesse que o modelo de financiamento da SPA é também a razão do asfixiamento da programação nacional. Reduz os projectos de risco, a diversidade e apenas fomenta as "programações de estado" e dos artistas de sempre. "Simpaticamente" sempre chamei de porca gorda à SPA. Agora consigo perceber que o peso dessa gordura não lhe permite circular e perceber que há mais projectos artísticos fora de Lisboa. Sabendo que é uma entidade privada mas à qual o estado lhe atribui grandes poderes gostaria muito que esta não visse os poucos espaços e projectos de programação como os seus infractores mas como os poucos (para não dizer os únicos) parceiros que lutam pela equidade do território, pela criação e difusão da cultura contemporânea. Mais do que distribuir pelos seus associados o dinheiro que ficou sem cabimento, a SPA deveria criar linhas de apoio e projectos que apoiassem o Novo. Numa lógica de apoio intergeracional mas, neste caso, invertido. Os grandes associados deveriam prescindir do dinheiro que na prática não é seu, em nome do fomento da cultura nacional apoiando novos artistas, novos projectos de programação e novos territórios para a cultura.
Já Agostinho da Silva dizia que o grande defeito dos intelectuais portugueses era só lidarem com intelectuais. Que fossem para o povo. Que vissem o povo. Que reparassem como ele reflecte, como ele entende a vida e como ele gostaria que a vida fosse.
O inferno seremos sempre nós enquanto apenas virmos a responsabilidade dos outros."