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31.12.11

Votos do ano velho

Neste ultimo dia do ano de 2011, quando nos aproximamos do nível de vida que tínhamos há oito anos atrás, que recordações levamos deste ano velho?

Começámos o ano com o Mercado Municipal numa tenda e numa tenda ele terminou.
Também o lixo de sexta-feira foi marca constante durante todo o ano.
Numa cidade turística o ano começou com os monumentos e museus abertos em permanência, incluindo na hora de almoço e terminaram fechados...
Começámos o ano com uma contenda com a concessionária do estacionamento e terminámos o ano a ter de pagar 6,475 Milhões€ à mesma.
Iniciámos o ano com um Concelho onde a cultura era para todas as crianças, com o Programa "Cine-Teatro para todos", com teatro e cinema semanal e terminámos o ano com uma sessão de cinema infantil por mês.
Começámos o ano com um resultado de um ano turístico (2010) muito bom, com aumento do número de visitas, do número de dormidas, das receitas da hotelaria, fruto de uma estratégia de promoção externa ao Concelho adequada e terminámos o ano sem estratégia, nem promoção, nem resultados, apesar de ter sido ano de Festa dos Tabuleiros.
Começámos o ano com mais serviços realizados pelos Bombeiros no apoio à população do que no ano anterior e mantivemos igual nível de esforço durante todo o ano.
Iniciámos o ano ainda com risco grande de cheias na Cidade e terminamos o ano com esse risco minimizado, depois da limpeza e desobstrução realizada nas zonas da Fabrica Fiacção e Do Flecheiro.
Começámos o ano com uma obra mal executada na Rotunda e terminamos o ano com uma obra parada no acesso ao Convento.
Iniciámos o ano sem um serviço de atendimento aos Municipes nas obras particulares e terminamos um ano com um serviço reorganizado.
Começámos o ano na ressaca de um Tornado, que afectou 300 casas, e terminamos o ano com um Regulamento do Serviço de protecção civil revisto e prevendo a capacidade e melhoria da resposta aos riscos.
Começámos o ano sem uma política para a habitação social e terminámos o ano... na mesma.
Iniciámos o ano sem projecto para o Novo Mercado e terminámos o ano... na mesma.
Começámos o ano com a recuperação do flecheiro parada e terminámos o ano com ela anulada, com a perda de 3 Milhões€ de investimento.
Iniciámos o ano com cerca de 33 Milhões€ de dividas de curto, médio e longo prazo e terminámos com cerca de 31 Milhões€.

Enfim: Só não foi um ano perdido, porque foi possível fazer a diferença em alguns sectores...

Tomar merece mais? Decerto! E merece muito melhor!

28.12.11

Ontem foi mais um dia de cheque ao Rei

Ontem mais dois factos singelos aconteceram: a recusa, pela segunda vez, da revisão orçamental que pretendia assumir orçamentalmente o pagamento de 6,5Milhões€ unilateralmente decidido pelo PPD à ParqueT, por 20/16 e a aprovação de moção apresentada pela CDU recusando a reforma da administração local proposta pelo Ministro Relvas.

Ou seja: a Assembleia Municipal presidida por Relvas, aprovou por maioria de 20/17, uma Moção que recusa a reforma da administração local, proposta pelo mesmo Relvas.

Trata-se de mais um cheque ao Rei. É já o quarto sucessivo. Quantos mais serão necessário para desistirem de "jogar"? Estaremos, quiçá, a poucas semanas de tal acontecer. Ou estarei enganado?

26.12.11

Porque entendo que deveriam existir eleições antecipadas em Tomar

Pode ser ouvido na Rádio Hertz (FM92/98 ou http://radiohertz.pt), as razões porque entendo que poderiam e deveriam existir eleições antecipadas em Tomar.

Não é a primeira vez que o faço. Mas entendo que o assunto deve começar a ser falado de uma forma mais oficial: Tomar anda à deriva e não quero ser visto como conivente com essa situação. Aliás, acho mesmo que são cada vez mais os Tomarenses, socialistas, sociais-democratas, populares, bloquistas, comunistas e independentes a concordarem com tal facto.
Eu por mim, é já amanhã que partimos para a clarificação, que só a democracia proporciona.
Ou será que Carlos Carrão por um lado ou Pedro Marques por outro têm medo de ir a eleições, ao fim de 14 anos de responsabilidades que cada um tem neste estado a que chegámos?

Eis o resumo, constante na Radio Hertz, das minhas declarações ao Noticiário das 19H00, desta Segunda-feira, dia 26 de Dezembro:

TOMAR - Luis Ferreira desafia Independentes para eleições antecipadas... e lança farpas ao PSD

Luís Ferreira não reconhece legitimidade ética para que Carlos Carrão possa ser, nesta altura, presidente da Câmara Municipal de Tomar. O vereador do Partido Socialista, que recentemente abdicou do estatuto de tempo inteiro e do comando da Protecção Civil, vincou a preferência no cenário de eleições antecipadas, baseando esta opinião pelo facto do município «andar ao Deus dará». Em declarações prestadas à Hertz, Luís Ferreira não acredita que os Independentes pudessem "ajudar" o PS a provocar a perda de quórum no executivo pois, afirma, Pedro Marques «fez um esforço brutal para chegar a vereador e ainda não o rentabilizou politicamente». O socialista explicou as razões que o levam a apostar em eleições antecipadas:

«Um município que não tem orçamento para 2012, que não tem a revisão orçamental que lhe permita colocar no orçamento o pagamento, unilateralmente decidido, de 6,5 milhões à ParqT, um município que não sabe quem é o presidente e qual a legitimidade que tem o presidente actualmente em exercício, é um município ao "Deus dará". Quando uma barca está sem timoneiro, sem rumo e sem qualquer orientação, então é melhor recolher ao porto e fazer obras para que possa, de novo, sair para o mar. É isto que defendo há bastante tempo. Um cenário de eleições iria ajudar a clarificar a situação política em Tomar. Ninguém pensa que esta situação se poderá manter durante dois anos. O concelho está como está e se se mantiver esta situação por mais dois anos, então é o descalabro completo. Estou certo que, dentro de mais algumas semanas, muitos serão os tomarenses que vão concordar com aquilo que tenho dito e escrito. Não sei se esta opinião é consensual, ou não, dentro do Partido Socialista, até porque estamos a falar de algo que ainda não foi abordado. Não é o PS que pode provocar eleições. Há possibilidade de haver eleições antecipadas para a Câmara Municipal por duas vias: numa, todos os elementos da lista do PSD tinham que se demitir e, com isso, provocar eleições, a exemplo do que aconteceu há alguns anos em Lisboa; a outra possibilidade teria a ver com todos os eleitos das listas do PS e dos Independentes fazerem o mesmo. Não estou a ver que Pedro Marques e alguns nomes da sua lista, por alguma vez, quisessem abandonar os lugares que têm. Estou certo que, da parte do Partido Socialista, se essa questão fosse colocada, estou certo que a esmagadora maioria dos membros do partido acabaria por considerar essa como a melhor solução para o concelho de Tomar». O cenário de eleições antecipadas não encontra consenso dentro do próprio Partido Socialista, mas Luís Ferreira disse à Hertz que se Pedro Marques mudasse de opinião e se demitisse, então do lado do PS por certo de haveria lugar para posição idêntica: «Foi feito um esforço gigantesco da parte de Pedro Marques para conseguir a sua eleição para vereador em 2009. Julgo que não estará disponível a prescindir desse esforço brutal porque ainda não passou tempo para rentabilizá-lo do ponto de vista político. É esta a minha convicção. Mas se ele mudasse de opinião e se o grupo dele tivesse essa nobreza política, estou certo que todo o concelho ganharia com isso. Estou certo que o Partido Socialista estaria na mesma linha para colaborar para um criar um cenário de eleições antecipadas, que seria altamente benéfico para o concelho». Como é do domínio público, Carlos Carrão é, agora, o presidente da Câmara Municipal de Tomar, em substituição de Corvelo de Sousa, que pediu suspensão do mandato. Luís Ferreira diz que o actual líder da autarquia tem legitimidade legal para desempenhar as funções... mas não tem a «legitimidade ética»: «Carlos Carrão tem a legitimidade legal mas não tem a legitimidade ética para o exercício das funções. O PSD tem ganho as eleições em Tomar de forma consecutiva mas, no espaço de quatro anos, é o terceiro presidente que nos apresenta. O PSD está, literalmente, a brincar com o concelho. Não se pode confiar na palavra do PSD. Apresenta um candidato a eleições mas passado pouco tempo já dizem que o candidato vai embora, depois já nem sabem se vai embora... Isto parece brincadeira do tempo dos Jotas. O concelho merecia mais respeito por parte de quem tem ganho as eleições. Não me parece que haja grande legitimidade na actual liderança da Câmara... Quais são as garantias de que, dentro de dois meses, vamos continuar com este presidente? Ou que daqui a algum tempo vai voltar o anterior? Já chegámos ao nível zero da credibilidade política. Está na altura do PSD ganhar um pouco de juízo».

23.12.11

Inquérito de Natal do Jornal "Cidade de Tomar"

1 – Como vai ser o seu Natal este ano?

Como habitualmente em casa, este ano acompanhando as dificuldades de quase todos os Portugueses, mercê da redução salarial, não explicada, nem absolutamente necessária, decretada pelo mais conservador Governo que Portugal teve depois do 25 de Abril.


2 – Com quem costuma passar?

Sempre com a família, como convém a um Homem de bons costumes.


3 – Gosta de manter as tradições habituais?

Seria hipócrita se dissesse que gosto de manter tradições, habituais ainda por cima. Não sou propriamente pessoa para seguir linhas pré-definidas, estereótipos de qualquer tipo ou mesmo comportamentos "expectáveis". Se o fosse, não me assumiria como Homem livre. Se a questão é se gosto de estar com os meus pais, filhos e companheira, passeando à tarde no dia de Natal, após uma boa refeição, claro que sou "tradicionalista". Nunca falho os doces, o bom bacalhau à noite e um cabritinho no forno ao almoço... Se a questão é se nesta época me considero mais solidário ou amigo que noutra época qualquer, a resposta séria é que não. A nossa acção privada e pública, solidária, na procura da justiça, com honra e na perspectiva da promoção do progresso, deve ser assumida todo o ano, sem falsos moralismos.


4 – Gosta de trocar presentes (mantém os mesmos presentes ou houve uma redução)?

Sim tenho esse hábito, especialmente com os miúdos que o valorizam. Obviamente que este ano serão muito menos, tendo procurado que fossem produtos nacionais, no sentido de ajudar a criar empregos no nosso País.


5 – Uma mensagem de Natal…

Que o Pai Natal consiga chegar a uma Tomar que não investe na sua promoção externa, como o devia fazer de forma a ajudar a criar uma indústria turística. Que as Renas consigam encontrar um pequeno pasto, num Concelho que anda há 14 anos a rever um PDM e não cria inventivos à criação e fixação de empresas. Que o Trenó não tenha de estacionar num dos lugares do ParqueT, que um pequeno conjunto de laranjas teimosos, com uma ou outra abstenção independente, insistiu em concessionar e depois pagar, sem dinheiro, sem estratégia e hipotecando o futuro de todos nós...

22.12.11

Em menos de quatro anos, o PSD já vai no terceiro Presidente de Câmara em Tomar

Agora já é oficial, com a apresentação do pedido de suspensão de mandato de Fernando Corvelo de Sousa, por sessenta dias, o PSD em Tomar tem pautado a sua actuação e gestão pública por uma consistência.... de substituições.

Primeiro foi Paiva em Fevereiro de 2008, a cumprir o seu terceiro mandato, que abandonou a Câmara, dando lugar a Corvelo de Sousa, que se manteve em funções, após novas eleições, até ao passado mês de Novembro, dando agora lugar a Carlos Carrão.

A "estabilidade" que o PSD tem proporcionado a Tomar, tem sido a palavra de ordem: ganham umas eleições com um e a meio substituem-no por outro, dando assim razão à voz do povo, nas críticas sobre a "palavra" dos eleitos.

Sabemos bem que, com esta alteração já soprada desde o início do mandato, pouco ou nada mudará. Convém não esquecer que Carlos Carrão é o mais responsável por tudo o que tem acontecido em Tomar, de bom e de mau diga-se, uma vez que é ininterruptamente Vereador há 14 anos, sendo o membro de todas as Câmaras depois do 25 de Abril, com mais anos de exercício de mandato.

Vamos ainda ter de suportar esta gestão por mais dois longos anos, antes de democraticamente fazermos a "passagem" para uma verdadeira Câmara que faça gestão estratégica e olhe pelo desenvolvimento do Concelho, como há quase duas décadas não acontece.

21.12.11

Algumas novidades financeiras do Município de Tomar

Chegaram ao conhecimento dos Veredaores quanto custam a exploração de algumas das infraestruturas e serviços do Município de Tomar:

Custo de funcionamento do Cine-Teatro Paraíso, tendo por referência o ano de 2011 - 65.684,75€

Transportes Urbanos de Tomar
Ano de 2010 - Despesas 452.479,38€; Receitas 139.693,60€; Prejuízo 312.785,78€
Ano de 2011 (10 meses) - Despesas 425.722,02€ (média ano= 510.866,42€); Receitas 117.020,10€ (média ano= 140.424,12€); Prezuízo 308.701,92€ (média ano= 370.442,30€)

Aumento do prejuízo no ano de 2011 - previsão de +18%

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Foram ainda distrubuídas aos vereadores algumas informações do que vai ser feito em 2012.  Por exemplo a nível de sessões gratuitas de Cinema Infantil, irão ser realizadas 4 (QUATRO), durante todo o ano de 2012: nos meses de Janeiro, Abril, Novembro e Dezembro, as quais custarão 1.228€ (IVA inc.).

Só a título de exemplo, em 2008 houveram 8 sessões cinama infantil; em 2009, apenas 6 sessões e durante o ano de 2010, sob a gestão socialista da Cultura, houveram 15 sessões, com um custo aproximado de 4.000€ (IVA inc.).

Ou seja, com o objectivo de "poupar" cerca de 2.800€ num ano, tomando por referência o ano da nossa gestão (2010), esta é a mesma Câmara que tem como prejuízo nos TUT por ano mais de 300.000€!

Convem também lembrar que as últimas cinco sessões de cinema do ano de 2010, tiveram a assistência das crianças das Escolas do espaço rural, que o Município trazia através de autocarro. Ou seja, não só havia mais sessões de Cinema infantil, mais do triplo do que vai haver em 2012, como TODAS as crianças tinham acesso a ele.

E assim vai sendo o nosso Concelho gerido...

15.12.11

Livros revisitados - O Fim do Petróleo

O Livro desta semana, “O fim do petróleo”, do autor norte-americano James Kunstler, numa edição Bizâncio (ISBN 978-972-530-298-9), de 2006, questiona-nos mesmo antes da brutal crise financeira, económica e social que se seguiu a 2007, as razões para esta e todas as crises, no advento de uma sociedade com energia muito mais escassa e, naturalmente, mais cara.

Mas se o leitor espera encontrar um livro técnico, cheio de impenetráveis gráficos e tabelas, desengane-se. Kunstler é autor de romances e de ensaios, onde se destaca “Geografia de lugar nenhum”(1993), sempre no sentido de questionar o caminho que vimos seguindo, no “banquete de consumo do petróleo” e, através dele, da economia e da sociedade baseada na energia barata. O autor adverte-nos, no inicio da sua obra, com uma citação de Carl Jung, um dos fundadores da psicologia: “as pessoas não suportam realismo em excesso”. Pois nós em Tomar sabemos bem isso…

Tive oportunidade de assistir a conferência que o autor deu em 2006, na Fundação Caloust Gulbenkian, numa antevisão das consequências do pico de produção de petróleo na passagem do milénio, do pico do consumo mundial de energia, em 2008 e do exponencial aumento dos conflitos, dificuldades de abastecimento de diversos bens e disponibilidades financeiras para os adquirir, até hoje.

Kunstler afirma-se como um pensador da “longa emergência”, que ele está convicto ser o período de várias décadas que passaremos até nos adaptarmos a um mundo onde a energia não estará disponível, nem nas quantidades necessárias, nem em preço acessível: alimentos baseados no petróleo, como é a grande produção cerealífera mundial, estilo de vida suburbana com transportes individuais e colectivos para vencer grandes distâncias diárias, num permanente desafio pela posse da terra, sem mecanização extensiva, … Enfim, um retorno rápido aos níveis de vida e de conforto de à 250 anos atrás.



“Durante a longa emergência, a sociedade terá de concentrar-se novamente em vilas e pequenas cidades e em terras de cultivo existentes entre elas”, desafia-nos a páginas 314, dando-nos mais interessantes pistas de adaptação: “estas vilas localizam-se perto de rios, (…) que possuem muitos locais adequados à produção local de energia hidráulica. Estão rodeadas de terras de cultivo, (…). Os centros das vilas e os seus velhos bairros de habitação, concebidos na era anterior ao petróleo barato, são compactos e densos, podendo-se andar a pé, e estão, em geral, intactos, embora os edifícios se encontrem em mau estado. (…) Podem ser arranjados e convertidos com muito mais facilidade do que as povoações construídas segundo o modelo dos subúrbios. Durante a longa emergência, as obras far-se-ão devagar, prédio a prédio (…)”.

Ao ouvi-lo em 2006, fiquei com a sensação que o nosso Concelho tinha futuro, devendo ser preparado e adaptado para estes desafios que, hoje, ninguém duvida que serão resolvidos pela nossa geração. Urge então colocar mãos à obra, preparando a nossa Cidade, o nosso Concelho, para o desenvolvimento sustentável, como muitos defendem repetidamente, desde 2004. O caminho, quanto a mim, é por aí!

12.12.11

Independentes e PS não viabilizaram orçamento do PSD em Tomar

Já era esperado.
Com a recusa do PS em viabilizar um orçamento que introduz o pagamento de 6,5 milhões de euros à parqueT, com a total hipoteca de investimentos necessários para o desenvolvimento do Concelho, os independentes, ao contrário do que se chegou a especular, recusaram também um Orçamento sem investimento e sem aposta na resolução dos grandes problemas do Município.
O Orçamento do Município 2012 foi recusado com quatro votos contra (PS + IpT) e dois votos a favor.

Como disse o ano passado ao Presidente de Câmara, ausente das lides municipais de "baixa" até 5 de Janeiro,  poucos dias antes da reformulação de pelouros: "cada um escolhe o seu caminho e assume a consequência dos seus actos e sabe como quererá terminar o mandato". Os avisos do PS foram claros e constantes ao longo de um ano. O fim foi o que se vê!

Em 2013 ou antes, os eleitores lá estarão para fazer a sua avaliação.
Desejo muito boa sorte, para governarem com o orçamento de 2011. E precisarão mesmo dela, pois com o que se vai passar a seguir, só mesmo com muita sorte é que se "safam"... Há no entanto outro caminho: dialogar com as forças da oposição, fazendo agora à força, o que durante dois anos não fizeram "a bem".

Tomar, sempre o afirmei, é um Concelho com futuro. Exige e de todos nós, muito mais do que temos conseguido ou querido dar. É chegado esse momento de exigência.

Estão assim, quanto a mim, criadas as condições para que o PSD perceba, finalmente, que não pode fazer tudo como quer, sem ouvir nada, nem ninguém. Os prejuízos para Tomar são inequívocos e incontornáveis.

10.12.11

A propósito de um debate - leitura da marca socialista

Tive ontem a oportunidade de assistir ao vivo ao debate organizado pela Radio Hertz, entre os lideres dos Partidos com representação na Câmara, bem como o primeiro eleito do movimento independente de cidadãos.

Numa noite muito fria poucos foram os que se deslocaram à sede a Junta de Freguesia de Santa Maria dos Olivais, para um debate pouco eclarecedor para a generalidade dos que tiveram a oportunidade de em directo ouvir e ver ou que irão ver online a emissão.

Gritante o desacerto discursivo do presidente laranja local, que num registo a roçar a conversa da treta, denotou o que já há muito tempo se torna evidente: o PSD governa Tomar há 14 anos, mas deve pensar que toda a população anda distraída e acha que nos governam há 14 dias. De entre o chorrilho de banalidades que vociferou e apesar de ter tomado a devida nota de tudo, destaco de cor um pensamento exemplificativo daquela que é a atitude do PSD na gestão de Tomar em 14 anos: "Nós vamos mudar, continuando a execução do nosso programa"(?!).

Palavras para quê? Imaginem só que temos de continuar mais alguns anos a ser por esta gente governados... É mesmo má sina, esta que se abate sobre Tomar. É mau demais para ser verdade!

Ficou por explicar quando haverá Presidente de Câmara em Tomar, se o que os Tomarenses elegeram e que poucos teriam saudades de ver de volta, tal o mundo virtual em que se movia, onde a incapacidade de decisão era uma das suas imagens de marca, se o seu substituto sem legitimidade democrática para exercer a função, uma vez que não tendo sido eleito para o cargo que agora pretende ocupar, é só o membro da Câmara que mais anos exerceu funções desde o 25 de Abril: 14 anos ininterruptos.

O PSD conduziu Tomar a um beco sem saída, que honestamente só eleições antecipadas poderiam resolver. Como afirmou a Presidente do PS de Tomar, Anabela Freitas, naquela que foi a frase
mais acertada da noite, quem criou o problema, dificilmente poderá encontrar a solução.

E pior cego é o que não quer ver: Tomar de 1997 para 2007, nos dez primeiros anos de gestão do PSD no Concelho, baixou do lugar 59 do Indice de poder de Compra (IPC) a nível dos 308 Municipios do Pais, para o lugar 91!

Mas mais: entre 2002 e 2009, o Municipio de Tomar baixou de 86% da media nacional do já referido IPC, para 78%, sendo ultrapassado por Concelhos do Distrito como Constância ou Alpiarça.

Os dados estatísticos são como o algodão, não enganam!

E pior ainda é não terem percebido que o PS lhes deu uma oportunidade de ouro, que deliberadamente perderam: demonstramos saber respeitar a herança que o PSD nos deixara no Turismo, na Cultura, nos Museus, no Urbanismo, na Protecção civil e nos Bombeiros.
Além de respeitar o legado, mantendo tudo a funcionar, melhorámos, criando novas repostas aos cidadãos no serviço do urbanismo ou dos bombeiros, colocando serviços abertos à hora do almoço no Turismo e na protecção civil. Conseguimos em poucos meses garantir que todos os monumentos e museus estavam abertos ininterruptamente entre as 10h00 e as 19h00, melhorando assim a
visibilidade do nosso património existente na cidade. E isso repesentou mais 20% de visitas. Abrimos o cinema e o teatro infantil do Cine-teatro às crianças das freguesias rurais,
transportando-as até à cidade, aos domingos. Conosco passou a haver Cinema em Tomar todos os dias. Divulgamos, como nunca, os seis eventos ancora da cidade, e também a Festa dos Tabuleiros, nos órgãos de comunicação social nacional, com especial ênfase na comunicação social do Norte. Resultado: aumento das visitas a Tomar dessa região.

Mais quase 10% de dormidas em 2010 na nossa Hotelaria, são um dos resultados da bossa gestão no Turismo Municipal.

Mais: desenvolvemos parcerias com novas entidades, como a Federação do folclore Português, com a Confederação das colectividades de cultura e recreio. Criámos eventos novos, como o festival internacional de acordeons dos Templarios, ou animámos a cidade co teatro em locais pouco comuns, como as piscinas ao ar livre ou o mouchão. Iniciamos pequenos eventos relacionados com os Templários, como o cerco ao castelo de 1190 ou a ceia comemorativa da morte de D.Gualdim pais, na própria Igreja de Santa Maria dos Olivais.

Reduzimos substancialmente o tempo de despacho dos processos de obras particulares, uniformizamos o preço do serviço de ambulâncias para tudo o Concelho, acabando com a descriminação das populações rurais em relação à cidade. "O Concelho são as suas 16 Freguesias", costumava dizer o nosso ex-Vereador Carlos Silva e com razão.

Criámos presença regular na net com a pagina de divulgação do parque de campismo (campingTomar.com), em português e inglês, a pagina descobreTomar.com de divulgação turística e a pagina protegeTomar.com com informação da Proteccao civil. Aí criamos a newsletter que teve 4 números de edição, até Dezembro de 2011. Criamos o Facebook do cineTeatro que tem hoje mais de 5000 amigos e o da Proteccao civil, onde muitos obtém informação actualizada sobre os riscos em curso.

Aumentámos as receitas na Proteccao civil e Bombeiros em mais de 80%, sem aumento de despesa, aumentamos os serviços prestados pelos bombeiros em 14%. Limpámos ribeiras que inundavam locais de risco e intervimos no Rio na cidade, reduzindo assim o risco de cheias.

Fizemos mais e melhor do que vinha sendo feito, respeitando sempre tudo o que vinha de trás.
Demos ou não uma oportunidade ao PSD?
E isso foi ou não bom para Tomar?

Mas querer que uma liderança Politica ausente, que nem sequer no Concelho reside, ou uma Presidencia da Camara que nem sequer existe, possam compreender isto, era pedir demais.

Tomar continua assim adiada e à espera de melhores dias.
A marca socialista foi feita. É aferível. Pode ser comparada, sem qualquer vergonha. Agora não podem dizer que não sabem...

7.12.11

Uma Câmara sem Presidente prepara orçamento

Com o Presidente da Câmara de "baixa", quase desde o dia em que assumiu em entrevista que "haveriam consequências políticas", do meu escrito acusando-o de uma gestão autocrática e incapaz de resolver qualquer dos problemas do Concelho, o Municipio prepara o seu orçamento para 2012.

O Vice-presidente, o unico no cargo há 14 anos, mais do que responsável por tudo o que com o seu voto foi feito neste tempo, de bom e de mau, diga-se de passagem, lá reuniu com todos os partidos, o que está obrigado, ao abrigo do estatuto da oposição.

Apresentou-nos uma proposta de orçamento de cerca de 60 milhões€, onde as opções seguem o rumo tido durante todo este período: comparticipação no esforço de financiamento de obras candidatadas, nenhuma obra prevista nova, nenhuma receita nova ou diversificada, gasto de salários superior às receitas advindas do Estado.

Fica a sensação de que ao fim de 14 anos, Carrão desconhece de todo qual o caminho a dar a Tomar. Não inova na vertente essencial do desenvolvimento económico, no apoio social e está convencido, numa terra que tem um Monumento património mundial, que precisa de um "Museu da Levada" para trazer para cá Turistas (?!)

Sinceramente, depois de dois anos de trabalho conjunto com o Vice-presidente, o qual com 14 a os seguidos de gestão autárquica é já o autarca depois do 25 de Abril com mais anos de gestão, esperava mais arrojo, mais capacidade, mais visão. Mas que fazer? É o que temos...

2.12.11

Livros revisitados - "O Banqueiro Anarquista"

O Livro desta semana, “O banqueiro anarquista”, de Fernando Pessoa, na edição da chancela Ática, da Guimarães Editores (ISBN 978-972-665-556-5), no ano de 2009, envolve-nos numa esotérica viagem, pelo mundo do “realismo ficcional”, de que só Fernando Pessoa seria capaz, desvendando a contradição entre a filosofia anarquista, muito ao gosto do primeiro quartel do Sec.XX e a profissão de banqueiro.
A trama da ficção, desenrola-se numa conversa entre um banqueiro, aparentemente anarquista que justifica os seus ideais a um amigo, que pensa inconciliável o estatuto de banqueiro com a política anárquica. O banqueiro expõe, então uma série de pontos de vista e ideias com a mais racional linha de pensamento, justificando a sua profissão, dizendo-se ainda um homem praticamente livre, uma vez que é imune ao peso do capital.
Sendo uma ficção, com o traço de génio de um Pessoa, é hoje especialmente interessante revisitá-lo, nomeadamente pela actualidade do conceito do “Banqueiro” do mundo, seja ele quem for, que parece alimentar-se numa cada vez maior “anarquia”, que destrói continentes, países, Cidades e aldeias, famílias e pessoas.
Neste “caos de milhões”, com que diariamente somos bombardeados, redescobrimos a importância das coisas simples, como o prazer do convívio com os amigos numa Cidade com Monumentos abertos todo o dia, com o gosto de ter um Rio mais limpo ou com a benesse de sabermos que todas as crianças, nossos filhos ou netos, podem ir ao cinema ou ao teatro, independentemente de viverem no campo ou na cidade, como nalguns Concelhos deste País.
Como o autor nos interpela directamente para a luta dos tempos idos, presentes e futuros, com um “realmente, quem se esquiva a travar um combate não é derrotado nele. Mas moralmente é derrotado, porque não se bateu”, diz o banqueiro que se acha anarquista. E na vida diária do nosso Concelho não será assim?
A quantos combates, quem nos tem governado, se tem procurado esquivar até hoje? Quantos mais falhanços no desenvolvimento de Tomar serão precisos, para que percebamos que nem somos governados nem por banqueiros, nem por anarquistas, mas pela pior das soluções humanas: os imobilistas?
Pessoa desafia-nos, nesta obra, a reencontrarmos o conceito de liberdade, “…para si e para os outros, para a humanidade inteira.”, “estar livre da influência ou da pressão das ficções sociais”, “ser livre tal qual nasceu e apareceu no mundo, que é como em justiça deve ser; e quer essa liberdade para si e para todos os mais”.
Ora, não é mesmo chegado o tempo de Tomar se libertar dos imobilistas, incapazes de resolverem qualquer dos problemas que o Concelho padece há anos, lhes juntou outros problemas, como por exemplo o pagar milhões por uma obra que vale tostões? Porquê e com que interesse? Quem ganha com a falta de liberdade no nosso Concelho? Quem e porquê nos quer mais pobres hoje em Tomar, do que éramos há 14 anos atrás? Não será altura de nos libertarmos destas amarras, desta falta de rasgo e humanidade, de quem nos tem governado?